Echo, echo, echo(...)

domingo, 19 de junho de 2011

 
Viver enquanto se dorme tem suas desvantagens, não obstante tem suas vantagens também, porque tudo tem dois lados. No espaço da magnitude, viver de sonho surpreendentemente pode manifestar em algumas pessoas o que há de melhor na forma como elas conduzem suas existências. Vamos só abrir esses parênteses para falar do lado bom, pois para ver coisa ruim basta ligar a tv e assistir o noticiário.
Não há mal algum em aproveitar a vida, mesmo quando só tomamos conhecimento de um lado dela – ora se esse lado se mostra oportunamente repleto de coisas boas, porque não? – Lógico que não devemos nos manter passivos quanto a possibilidade de descobrir novos horizontes, não é isso, aproveitar o lado bom que se conhece da vida não quer dizer estacionar, muito pelo contrário, e se a única forma para que esse aproveitamento se torne vantajoso no momento é sonhando, que seja. Um outro aspecto, que não deve ser descartado como vantajoso em se viver enquanto se dorme, é a premissa de que o real nunca ultrapassa o imaginário. Durante o sonho podemos fazer qualquer coisa, ser qualquer coisa, estar em qualquer lugar e com qualquer pessoa – veja bem, quando se refere aos sonho, não necessariamente é preciso que uma pessoa esteja dormindo. A pessoa pode estar em transe, sonâmbula, lendo um romance, uma ficção, literalmente sonhando acordada, fazendo planos e visualizando com os olhos da mente como seria a concretização disso. Num confronto necessário entre sonho e realidade, pode-se definir a vida de sonhos como uma fuga útil daquilo que é identificável por todos os seres como rotineiro e enfadonho. Mas, mesmo assim, podemos falar de viver sonhando como válvula de escape, a partir de certos atributos inerentes à condição humana, sem necessidade de confronto com o que existe de fato, podemos fazer uso de nossa consciência para estabelecer o perfeito equilíbrio entre os dois universos: o real e o imaginário.
Viver é bom, equilibrar as coisas é bom, traz contentamento, simplicidade, paciência, saber viver nos faz mais sensíveis, alegres, carinhosos, iluminados e confiantes, com uma pegada mais poderosa, exercendo uma irresistível atração sobre o outro. Encarando dessa forma a existência, a palavra de ordem é: aproveitar-te-ei lado bom da vida, darei o melhor de mim porque você é boa, mesmo que isso, seja compreendido como uma maldição lunática por aqueles que não entendem todo um universo de pequenos gestos afetivos. E não, isso não é uma oração. Mas é uma contradição, pois gosto de sonhar de vez em quando, porém, para mim, bom mesmo é quando abro os olhos.


                                                                       ***
(Viu, Gustavinho, não fique triste se algumas pessoas enxergam que você está em cima de uma árvore quando você sabe que onde elas veem uma árvore, você, de olhos bem abertos, vê um foguete).

sexta-feira, 10 de junho de 2011



Engraçado como existem coisas que não mudam. Em 26 de Outubro de 2009, eu disse claramente que: 'Eu me dei conta do quanto gosto de críticas, mas de críticas com argumentos, gosto de saber como a outra pessoa encara o que penso, como ela se expressa, mesmo que eu não concorde em nada com ela. Para isso precisamos de uma noção boa do que estamos falando e, claro, de boa ótica – até porque as existentes e de maior visibilidade são sofríveis. Por um momento, digo, por um período recente me pareceu que a qualidade deixou de ser importante – estarei certa quanto a isso?
O fato é que eu adoro bons diálogos, adoro, adoro, mas as pessoas com quem poderia estabelecer esse tipo de laço estão tão sem tempo quanto eu. Em geral quando estou em uma reunião com amigos fico desnorteada quando todos começam a falar ao mesmo tempo. Eu ligo todos os meus sentidos procurando um tema interessante que alguém possa ter levantado em meio ao bombardeio de pessoas que só querem, que só precisam ser ouvidas – às vezes sem se dar conta que nada dizem. Ah, mas se detecto um assunto especial, acima do superficial então eu não relaxo. Espero extrair desse assunto o máximo o tempo todo.
Eu não tenho um gênero favorito para um bom papo – pode girar em torno de qualquer coisa embora tenha maior interesse por cinema e literatura. Gosto de pessoas que despertem o tipo de diálogo inteligente, maduro e com gosto refinado – aprendo muito com essas pessoas – tomara que esse aprendizado seja eterno.' Engraçado como existem coisas que não mudam.

domingo, 5 de junho de 2011

Al.H.

"Toda palavra é crueldade."
'''Fala, Orides Fontela



quinta-feira, 5 de maio de 2011

(IN) utilidade pública

Frase que li numa camiseta.


1 - Casamento na realeza (antes eles do que eu): massa;

2 - Morte de terrorista (antes ele do que eu)/festa de comemoração; podes crê;

3 - Estar por dentro das atualizações mundiais: muito necessário;

4 - Fora isso: grandes bosta!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Echo.

http://vidaem-textos.blogspot.com


Cal, era isso que eu tinha ouvido.
A garota tinha dito Cal.
Lembro-me muito bem.
A garota ria, paquerava a garçonete e falava Cal.
O que será que isso queria dizer? O quê?
Poderia ser um galanteio.
Poderia ser um deboche.
Poderia ser um cumprimento, um devaneio.
Qualquer coisa.

Meus pés ficaram como se eu estivesse levitando, mas eu estava no chão.

Meu corpo não tem nada de estranho.

A casa cheia das gentes que amo e a chuva fina caindo lá fora me davam a impressão de que não chovia há dias, mas eu sei lá há quantos dias eu achava qualquer coisa. Depois talvez eu perdesse(...) depois talvez(...)

A noite sempre chega mais cedo aqui. Mesmo quando está tudo muito claro, cheio de luminosidade. Estou exatamente onde deveria estar:
suspensa numa vida dentro de um tempo em órbita.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

24 de agosto de 2010.

Pensamento Coiceiro do Ato de Cogitar


http://gruene-mils.at/
O desastre que a lucidez pede é inevitável: sempre há um preço a ser pago.
Desde sempre soube disso.
Não gostava de meus versos por puro instinto – eles eram consumidos por meus torpores não executados.
Se olhava de repente para o meu verdadeiro EU, escutava o sopro de meu pensamento transformado em voz – e não era incoerente, antes disso e num instante, era espontâneo e infinito.
Hoje adormecerá cedo e abrirá os olhos tarde.
Terá tudo como sempre foi.

O demônio indiferente da juventude ainda estará quente, arrebanhando novos seguidores.

Se perguntava qual seria o ápice da insanidade.
Quando chegou o momento de deixar livre sua própria opinião, arrastou-se equivocado através dos becos imundos do bairro onde morava.
Soube, por ventura, que os avanços e solavancos de uma vida exaustiva de orgias estava no fim.
Não se convencia de que o espelho estava certo e sentiu pânico por permanecer Dorian Gray.

Iria abrir os olhos ao anoitecer sabendo o quão desastrosa a lucidez pode ser.
Os loucos são sempre mais felizes.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Pequena transmissão de aviso.


http://haliforadoar.zip.net/

Certa vez, iniciei um post bem bonitinho, sobre as coisas bem bonitinhas da vida. Comentei que já quis ser bailarina e tudo o mais. Bela merda. Agora isso está um pouco distante. Hoje estou mais para aquela que vexa o bonitinho das coisas. A simples presença de tantos elementos volúveis, equilibrados a tantos outros ingênuos, ou até mesmo cômicos em mim, nessa atual fase, apenas revela meu lado demasiado humano, porém sequer estabelece uma ponte onde tantos outros podem manter algum tipo de comunicação. Estou mesmo uma coisinha egoísta ultimamente, senhores.
Não me sinto igual a qualquer outro, ou próxima senão de meus outros mins. Em minha exterioridade, apenas encontro pontos comuns com uns poucos. Minha teatralização ao me manifestar tantas vezes por meio de palavras, ou mesmo aparições físicas, edificaram sentimentos de muros de cristal em minha alma. Estou embrutecida. Mas este embrutecimento é deveras frágil. Não me importo com quase nada e ainda praguejo contra quase tudo. É a TPM, diriam alguns. E pode muito bem ser isso mesmo, senhores. Não pode? Uma TPM eterna? Não. Acho que não. Da mesma forma que acho que esta minha atual condição de repente nem é para sempre. Encontro-me não raro agressiva. Sinto-me como uma adolescente cujos hormônios são tão insanos, intensos, loucos. É distúrbio bipolar, diriam alguns. E pode muito bem ser isso, não é? Tomara que não.
Eu afeio minhas coisas interiores, apesar de meus esforços em contrário, e que numa outra época nem tão distante, me diferenciavam sempre das gentes cujos núcleos de personalidade são tão feios quanto seu revestimento exterior.
Este egoísmo, senhores, não é uma qualidade, nem deve ser entendido como tal, já que em certas circunstâncias, ele resultou em algumas das minhas atitudes e decisões mais estúpidas e de piores consequências. Acho que este é meu traço mais humano, no nível de defeitos e limitações. - De certo que ainda conservei a capacidade de “parar a tempo” eu apenas não o quero fazê-lo mais. Estou chata, senhores. Chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata, chata

sexta-feira, 4 de março de 2011

“Nada precisa ser fantástico para ser bonito. Comum também pode ser belo.”


Narayana.


Senhores, ao ler esta frase, lembro-me de mim mesma, que alguns de vocês admiram tanto. Sou o cúmulo do comum. E sou muito bela, podem crer. Parte significativa de meu poder vem de minha beleza. E o que é que vocês querem que eu faça? Que arranque esse trunfo de mim? Vocês estão brincando, senhores? Sim, o problema é por certo complicado. Exatamente porque conheço todas as minhas responsabilidades – ou não teria uma consciência tão justa – eu sou quem sabe até mais conduzida, moralmente falando, aos tormentos que só aqueles que sabem do mal que podem fazer, podem sentir.
Abandono a fraqueza de caráter, a vaidade, o oportunismo – traços característicos da personalidade de tantos – sempre que posso.
Contudo, uma conduta mais adversa nas horas difíceis não basta para bloquear um certo desvio de personalidade nas horas mais improváveis: eu, nos últimos tempos, tenho me portado como uma figura egoísta, justamente porque, em um número incontável de situações, descobri ser o que sou, digamos, humana.
Nem tudo na minha vida pode ser explicado e entendido exclusivamente através do conhecimento dos meus altos e baixos. Não daria para verbalizar boa parte. Não seria um autoretrato justo, completo ou fiel como parecem ser os perfis das orelhas de alguns livros. Há os fatores externos que me impelem para os caminhos que afinal tomo. Provavelmente é disso que se tratará o próximo post. As palavras decerto serão mais duras.