Echo, echo, echo(...)
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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

O Tempo Não Volta






Um dia, precisaste de mim, e pela força do amor eu me fiz presente. Hoje, pela força da dor, preciso de ti e peço tempo ao tempo, porque você está distante.
Sou você amanhã! O tempo não anda para trás.
Hoje sou lento como a lagarta, amanhã voarei como a borboleta, e você vai refrescar a memória e lembrar-se do que poderia ter feito, e não fez.

- Lucira Galvão, a poetisa de Khalil Gibran nos dias atuais em seu livro: UM MERGULHO NA ESSÊNCIA/2013 edição esgotada/reedição esgotada.

terça-feira, 28 de março de 2017

De querer o que não se quer por nada


Na foto: Narayana Click: FotoLumina
De tanto andar por aí papeando com um e com outro, soube que você se apaixonou (ou ao menos chegou bem perto disto). Independente de como as coisas estavam indo o dia amanhecia e aquelas lembranças voltavam. Não acreditei que as coisas estariam de pé depois de tanto tempo, ainda vou permanecer aqui (?) esperando com a cabeça abarrotada de paciência e esperança. Ouvi por aí que você jurou amor eterno… E o que tínhamos se transformou em quê?
Criatura, “para sempre” é complicado, é algo que soa como comodismo ou desistência. E você nunca, nunca vai saber o que gerou essa faísca em mim. Você só me ligava para me entediar com seus contos de circo sem futuro. Aquelas mesmas ceninhas, virando urso… Me fazendo ter de adestrar a fera… Era para rir, mas eu bem queria chorar por não poder dizer…
Quando chegou uma fase importante para cada um de nós eu cai fora e você simplesmente caiu de joelhos e se tornou alguém de uma cegueira deveras incomum. Mas eu não encontrei tudo que eu esperava encontrar aqui sem você. Ficou cada vez mais precioso voltar a tentar fazer você escutar. Os dias passam lentos.
Vou ter de esperar muito você sair dessa, meu bem?
De longe nada parece normal, então perto deve ser um brinde a loucura sublime dos que flertam com o excesso.  
Ouvi dizer que o mundo gira e que você se apaixonou… Mas sério, como é que você está realmente?

quinta-feira, 23 de março de 2017

If not now, When?

Na foto: Nara e Nando Click: FotoLumina


- Como assim você ainda não entendeu?

Com a premissa máxima de viver e deixar viver e mantendo seus princípios acima das personalidades, o casal ansiava ter paz e serenidade por 24 horas de cada vez.

O importante era dar uma chance para o novo acontecer.

- Na minha semana só eu posso amar com minhas armadilhas.

Aprender a usar suas energias para criar uma existência rica e compensadora para si estava sempre no topo da lista:

- Eu não sei como poderei fazer você se sentir melhor. Compreenda que isto está indo de mal a pior. Mas é só hoje. Hoje é aquele dia.

Ela abriu a boca e ele pensou que ela finalmente iria dizer algo. Aí ela espirrou. E o silêncio permaneceu.

Uma vida de "quase" é uma vida de "nunca".


...

terça-feira, 21 de março de 2017

Why not?

Na foto: Narayana Click: FotoLumina



“Uma relação tem de servir para tornar a vida dos dois mais fácil. Vou dar continuidade a esta afirmação porque o assunto é bom e merece ser desenvolvido.”

Dormia a sono solto após dobrar-se: não sabia que preces faziam cair de joelhos. Eu não queria ir embora sem saber algo mais. Aquele suspiro de tamanho incomum encheu meu peito e se derramou em revoadas por sobre minha cabeça. Percebi que tudo parecia não passar de um equívoco. E uma necessidade que não ia embora de ocupar os dias com gestos e ações que encobrissem uma sequência interminável de frustrações em minha vida plena de estranhezas, solidão e um inabalável encantamento quando te via dormir. Minha jornada me pedia para fazer coisas que a cada passo que eu dava estava cada vez mais distante do meu objetivo íntimo. A rua já não parecia uma extensão de mim. Aqueles meios-fios repletos de lixo, esgoto estagnado, um ou outro carro perdido... O significado da palavra mistério parecia ter quadruplicado em suas nuances cada vez que passava a mão na testa pretendendo enxugar o suor que escorria por conta do esforço.

Quanto mais eu me mantinha ali parecia se fazer o cerco sobre minha pessoa. Até seu rosto parecia estar coberto de sombras como um vestido noturno. Achei cigarros em cima da mesa, mas quem os colocara ali? Senti as luzes escorrendo pelas frestas da noite, tentando me seguir. Poderia ter corrido, mas no meu íntimo eu me dizia para ficar. Não consegui chegar sequer até a porta: um tapume de borboletas noturnas impedia minha passagem. Minha boca começou a despejar palavras desconexas no ambiente e nos seus ouvidos, como se eu pudesse captar o flapear das asas ou o hálito dos seres que eu havia flagrado saindo aos poucos de perto de nós. Peguei suas mãos entre as minhas e comecei a desejar uma pistola na cintura. Quis correr no sentido da praça onde aquelas velhas se sentam e se riem às gargalhadas cheias de escárnio. Continuei ali. E os pensamentos continuaram a vir atrás de mim. Até que tudo parou. E vi luzes refletindo os quadros nas paredes. Minha vaidade sendo tangida pelo medo. Olhei através da janela onde se via, com muita caridade, algumas estrelas. Lembro de que corremos feito loucos, mas nenhum vestígio seria encontrado.  Atrás de nós: lesmas. Até que um dia paramos e colocamos as mãos na cabeça, sapateando e gritando uma torrente de desespero e loucura. As coisas pareciam se assustar com os berros que saiam de nossos lábios finos. Só ficamos nós, a escuridão e as parcas estrelas no céu. Eu que estava de pé, desejando uma pistola à mão, debrucei-me para colocar sua cabeça em meu colo e, enfim, perguntar, quem era você.

--Você já me conhece...


...

domingo, 19 de julho de 2015


...Não vou tentar explicar, pois perdi a esperança de que certo tipo de pessoa venha a entender este debate. Estou falando com os outros, que podem discordar deste ponto de vista, mas que absorvem o contraditório e refletem sobre ele.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Ensaio de romance pra toda a vida


Na foto: Pepper & Narayana in PoA.
Os ventos do mês davam forma e contorno ao riso frouxo da dama louca. Os ventos de agosto davam sinais de boa temperança cada vez que a língua na boca insaciável estalava no sétimo céu inundado por saliva. Cassandra passava a mão de leve nas folhas dos arbustos do jardim. O perigo que o desejo inflamava rondava o cenário junto com o batucar do coração iluminado. A seta do destino indicando o caminho encantado de aventuras. Ah, que dia mais lindo! Quando saiu para trabalhar já passava das dez horas. Emprego bom, ganhando bem. Mas precisava chegar no horário. Só pra fazer valer o viva “la vida” mesmo que não seja “loka”. Da noite para o dia havia de ter emoção depois de emoção. O cotidiano, tão querido, descansaria um pouco.

Sem fazer média, Cassandra se jogaria no mundo. 
A vida é uma só.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Normalidade

Coxinha com cores lindas em mim.
 Levei uma pancada na perna e fiquei observando as cores escuras se formando
achei tão lindo
muito lindo
Pensei se por acaso eram as mesmas cores que doíam nas mulheres que apanhavam dos homens
depois matutei se eram essas as mesmas cores fortes nas telas inesquecíveis de Marcelus Bob
O pensamento acertara: eram as mesmas cores das mulheres que apanhavam; as mesmas cores nas telas de Marcelus; eram, em absoluto, cores que eu achei lindas.
 O que não entendi foi por que as mulheres em meus pensamentos, que apanhavam dos homens, gostavam dessas cores nelas e por que essas cores ficavam tão maravilhosas nas telas de Marcelus Bob e por que, mesmo tendo doído tanto, eu, uma mulher do século XXI achei tão lindo aquelas cores em mim.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O Homem Feio - texto 1


Olhei minha figura em frente ao espelho, depois espiei o amante roncando como um urso esparramado na cama. Passei as mãos nos cabelos e mirei a garrafa de conhaque de péssima qualidade na qual existia ainda dedo e meio da bebida. - Foi com temor que, recordando os fatos, nos vi, noite passada, entregando nossas almas, milímetro a milímetro, aos confortos da vida patética, tudo isso enquanto ele me enlaçava pela cintura e me dizia coisas sujas ao pé do ouvido.
Minha pele era suor e meu semblante aquela expressão que vemos no rosto de quem passou a noite embriagado rindo de tudo e de todos. Eu lembrava de absolutamente tudo.
“Puta merda, que foi que eu fiz?” Vazio, culpa, imprudência, negligência, falta de cuidado.
Senti um formigamento se espalhando pelo corpo. Fui tomar banho.
Esperei ainda quarenta minutos para o urso voltar do coma alcoólico, com um suspiro longo e o olhar estúpido, provavelmente se perguntando “onde é que eu estou?” Embriaguez pós ordenada, sonolência, dependência, submissão tardia, consciência do ser.
Eu disse: “E aí?” mas eu só queria dizer que estava ali por inconveniente acaso. Também quis dizer que ele havia sido uma bosta na cama e que eu não tinha sequer gozado. - Enquanto ele me despia devagar eu nem ao menos cogitei desencorajá-lo: tropecei para os limites da cama e covardemente deixei que ele caísse por cima: ele me deu uma lambida no rosto e pôs dois dedos dentro de mim. Fiquei só no pensamento, empunhando palavras imaginárias que machucam, apenas por hábito. Por quê? Porque de outra forma não seria eu mesma, nem poderia viver coisas como as que vivi e vivo. Desabamento, firmamento, período, folhagem no jardim, céu clareando, sossego e sossego excessivo, sossego de ruína e minha própria voz sufocando de longe o que sinto.
Quis perguntar coisas. Contentei-me com um: “dormiu bem?” Não sei porque perguntei isso – certamente a imaginação é mais profunda que a realidade.
Meu problema com a paciência ultrapassou o sinal vermelho com força quando ele demonstrou clara falta de interesse em me dar prazer. Eu o empurrei com o braço esquerdo: “não tenho tempo para pessoas entediantes.”
Espero de coração que ao encontrar esse amante de novo eu consiga, com a prática que tenho, sanar esse mal entendido com essa casualidade e minha falta de resignação. Entre mortos e feridos estou eu afinal.
Ergui-me e vesti a roupa.
Sentei-me no sofá da sala e tomei a liberdade de ligar a televisão na esperança de saber que time havia ganhado o jogo. De repente ele apareceu já todo alinhado com seu all star vintage nos pés. “Vou embora.” disse quando minha mãe chegou com o almoço e olhou para ele: “Você é namorado de qual de minhas filhas?” Ele olhou para a tela do celular, como se procurasse a resposta, depois falou sem sorrir: “Namorado? Não. Eu sou um amigo do arraiá da semana passada.” Eu me danei a gargalhar: “Como é que é: Um amigo do arraiá?! Que resposta moderna, hein, palhaço! Qual seria o próximo passo? Pedir o que eu não posso?”
Ele aceitou almoçar, não tinha o mínimo brio. Mas eu sou uma garota surpreendente, feita de teflon: pode jogar lixo em mim a semana inteira que não vai grudar.
Eu revirei meus olhos quando nos sentamos lado a lado na mesa. E ele lá com o celular na mão aparentemente sem perturbação alguma. Revirei os olhos mais uma vez, como quem revira faca na ferida já em processo de cicatrização.
Eu não quis permanecer cega no escuro, na aceitação, como se fosse uma ovelha cujo pastor seduz com chicote. Não poderia afrouxar meu pensamento modelar e me quebrar caindo num abismo de futilidades, então eu me concentrei em resistir quando a situação se complicava, e só.
Durante a refeição: minha mãe e suas perguntas, o amante e sua postura incomum.
A ladainha que estava presente durante o almoço os transformava em ralé, colhendo trocados de desprezo. Ah, como eu gostaria que um raio de fogo e mel varado de luz atingisse a mesa e os transformasse – já que o fogo a tudo transforma – em criaturas ideais e encantadoras. Seria perfeito, divino, magnifico. E seria bom que fosse logo, antes que o amanhã deixasse de ser pleno e belo tornando-se fúria na forma mais hostil.
Não pude evitar a constatação de saber que nossa loucura estava perigosamente desfazendo nosso mundo em ruínas. - Tínhamos de nos tocar! - Nem pude evitar o pensamento com as palavras de Nietzsche boiando em minha cabecinha de vento e terra. Em certo momento, entre uma garfada e outra, declarei-as: “É uma barbaridade amar uma única pessoa, pois é algo que se faz contra as outras.” Talvez esse pensamento reafirme a premissa bíblica de um dos 10 mandamentos que diz: “Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei.”
Mas por que é tão complicado o amor mais sublime que o amor com interesse sexual? Por que dizer eu te amo não pode ser apenas por afinidade, sem cama? Por que não se pode apenas ser amigos? Por que não posso amar em paz e demonstrar esse afeto natural e espontaneamente, já que eu amava muitos e de diversas maneiras? Por um motivo deveras simples: porque tudo que o ser humano faz, ele faz com a intenção de dominar o outro.
Certo, certo. Sei que essa dificuldade esplanada agora, seria também minha própria dificuldade já que eu havia dormido com um, aparentemente, “amigo do arraiá da semana passada.” - sempre caindo no mesmo erro, sempre sendo seduzida pelo sabor de aventura que a vida oferece – mesmo algo do cotidiano, pois sabia que nada precisa ser fantástico para ser bonito, o simples também pode ser belo. Tive a impressão de que, além de estar falando sozinha, eu estava pensando sozinha.
Olhei para o meu amigo tentando evitar o revirar de olhos que insistia em se tornar habitual. Daria 1 real se ele se mantivesse gentil; 2 reais pela tentativa de se manter gentil; se nada acontecesse daria um pontapé em seu traseiro(...)
O amante terminou de comer, ensaiou levar o prato para lavar, eu disse “deixe aí(...)” e ele, claro, deixou. Depois, num rompante de sobriedade, levantou-se e lavou, não só o prato onde havia comido, como também toda a louça que estava suja na pia e na mesa – e isso me fez perceber que são formas variantes, na verdade, que estimulam a alma emotiva do ser humano, que permitem que ele esteja bem, mesmo um estúpido como havia sido, horas antes, esse amante, - e só quem não tem sensibilidade se atrapalha com elas – elas são grandes oportunidades de vivência, e de aquisição de sabedoria até para quem não as procura. – Eu havia acabado de perder 1 real.
O fato é que “o amigo do arraiá” agora lavava a louça do almoço na casa onde eu morava.
Não é uma maravilha quando a caminhada nos força a se enquadrar? – Como num teste de sobrevivência. Eu já havia visto muita gente nessa situação: meu “amigo” era um charlatão fértil.
Minha mãe pediu licença e foi para seu quarto descansar um pouco do almoço. O amante passou o resto da tarde comigo. Idiota.
Ele agia como se fosse seu último dia na casa de uma tia que visitava: com cordialidade. Eu quis fingir desprezo, então na hora do fingimento eu falhei, por isso eu chorei: por me importar demais.
O efeito da bebida havia passado fazia horas e eu que desejava paz indescritível, repouso, êxtase, eu que era a menina que resistia quando tudo se complicava, consegui ser a tia de um amante que era um suposto amigo que eu havia conhecido num arraiá qualquer da semana passada.

- Narayana Ribeiro.

Obs.: texto publicado originalmente em: http://beatbrasil.blogspot.com