Echo, echo, echo(...)

terça-feira, 12 de março de 2013

Papo cabeça feito de trechos facebookianos (do perfil do querido Ramon Gurgel).


Na foto: Maria de Oliveira Barro, Maria Boa.

 Quero ver na novela da Globo mostrar a realidade nua e crua que nós norte-rio-grandenses vemos dia após dia. Novelinha para enganar turista e encher os bolsos da máfia hoteleira e seus comparsas não põe pão na mesa(...) Ninguém aqui vive esse mar de rosas não.
Primeiro que a novela se passa no nordeste e a beleza dos atores (e até dos figurantes) são de sulistas. Agora imagine: se o RN fosse feio e sem litoral? Era o inferno na terra! Claro que gostaria de ver meu Estado enaltecido, porém com verdade e transparência, não quero essa imagem de enganação que a globo anda mostrando na TV numa realidade fictícia trazendo turistas para se sentirem insatisfeitos e saírem falando mal do que veem por aqui. Povo, sejamos mais fiscais de nossa terra. Só acabaremos com essa palhaçada quando enxergarmos o que acontece por detrás dos bastidores. E não é assistindo novelas idiotas que alcançaremos isso.
A política pública do Estado do Rio Grande do Norte é perpetuação de vários Governos. Não há valorização da verdadeira beleza do Estado que é a nossa cultura. Já cansei de discursar sobre a morte dessa cultura. É inadmissível Natal não ter um museu sobre a II guerra mundial e nem promover qualquer evento lembrando a importância do trampolim da vitória para o mundo, e mesmo ao tentar rememorar e ressaltar nossas figuras históricas perca para o pagodão mais próximo. Onde estão a valorização de Nísia Floresta, Câmara Cascudo e Auta de Souza? Ah, e ainda temos a Maria Boa (por que não?) que nos deu a história da mais conhecida casa de tolerância do estado sendo homenageada em sua época por vários pilotos de guerra e tendo um dos aviões batizado com seu nome.
Por que não fazer um festival literário anual em homenagem a eles? Mas o povo não têm acesso a educação de base (ou a qualquer outra)(...) por que se importar com isso mesmo, né? vamos assistir novela(...) no lugar de flor do caribe era para ser flor do nordeste(...) ou então flor do caralho mesmo(...) vai tomar no cu. Como disse Ramon Gurgel: “Se eu gostasse de merda eu cagava e comia”.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Na foto: Narayana eo vinho


O meu desejo não guarda segredos

Mas já não berra aos quatro cantos

Ele se apresenta quando perguntam por ele.

Meu desejo ainda tem certa dose de insanidade

e uma urgência que se realize.


- Jim Duran In  http://poemasdecorpo.wordpress.com/

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Ensaio de romance pra toda a vida


Na foto: Pepper & Narayana in PoA.
Os ventos do mês davam forma e contorno ao riso frouxo da dama louca. Os ventos de agosto davam sinais de boa temperança cada vez que a língua na boca insaciável estalava no sétimo céu inundado por saliva. Cassandra passava a mão de leve nas folhas dos arbustos do jardim. O perigo que o desejo inflamava rondava o cenário junto com o batucar do coração iluminado. A seta do destino indicando o caminho encantado de aventuras. Ah, que dia mais lindo! Quando saiu para trabalhar já passava das dez horas. Emprego bom, ganhando bem. Mas precisava chegar no horário. Só pra fazer valer o viva “la vida” mesmo que não seja “loka”. Da noite para o dia havia de ter emoção depois de emoção. O cotidiano, tão querido, descansaria um pouco.

Sem fazer média, Cassandra se jogaria no mundo. 
A vida é uma só.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Na foto: Paulo Sarkis.
 
Certa vez, ainda nos anos 80 no bairro de Santana, ZN de São Paulo, após uma noitada de muita coca, dia já amanhecendo ele vira pra mim e diz com aquele sorriso que nunca lhe saía do rosto: "vamos até o bobs tomar um milk shake". Pegamos o pena móvel e após íngreme ladeira, serra da Cantareira abaixo, estávamos nós já dentro do bobs 24hs na fria noite paulista. Ele diz ao atendente: " 4 shakes por favor, 2 de morango e 2 de chocolate", e eu: "não!!! só tomarei 1 de chocolate". Ele retruca: "então são 5, 3 de chocolate e 2 de morango", e solta sua gargalhada característica.

Aprendi com ele a rir da minha própria desgraça, o primeiro blues man que conheci, descendente da mais elegante estirpe inglesa, a risada sonora e interminável que externava a loucura que na minha geração nunca teve cura.

Hoje zarpou meu amigo Kuki, também conhecido pelas alcunhas de Cacique Pena Branca ou Kid Nevaska. Homem raro daqueles que deixam o mundo pior sem ele.
- Paulo Sarkis

sábado, 19 de janeiro de 2013

O amor não é por acaso


Grande distância dos corpos de um tempo corrido
Com votos
a
Evocar suor e suspiro entre encontros escolhidos
Sóis bailando num ritmo próprio 
do nosso próprio ser
Chuvas de led enfeitando o
Concreto consolidado
de um tempo 
Sem lamento 
de um teto que cobre os corpos 
Para a gente não se perder.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Mas você não tá nem aí



Quem é que nunca percebeu que quando um novo ano está prestes a se iniciar, tem-se a esperança/promessa de que algo diferente vai acontecer? Pessoas começam a dizer que as coisas vão melhorar. Alguns repetem que mudarão sua postura num amanhã que nunca chega. Outros fazem listas mentais daquilo que gostariam de fazer e nunca fazem. Essa ideia acaba se repetindo como num ritual de entrada de ano que, na maioria das vezes, não passa disso. A máxima “Ano Novo, vida nova” não vigora mais que alguns dias. Depois vira bosta no lixo do esquecimento até que chegue mais um 31 de dezembro. E tudo se repete.
Se bem que algo sempre muda: as horas, os dias, os meses. É pessoal, o tempo passa e é implacável. Já as pessoas(...) Essas, fazendo um exame de consciência ou não, parecem não mudar sua percepção nunca! E que peso parece ser colocado em nossas costas quando nos percebemos tão igualmente medíocres por dentro e tão diferentes no reflexo do espelho! A humanidade continua fazendo as mesmas coisas, sentindo as mesmas coisas, compactuando com os mesmos atos. E ficam todos esperando que as transformações em nossas vidas ocorram de uma hora pra outra, que a hipocrisia se extinga, externamente, como se fosse acontecer um milagre ou algum tipo de cura divina descesse dos céus e acabasse de vez com essa zona, quando, em verdade, essas mudanças devem partir de cada um de nós, com atitudes diferentes. Não vou nem falar daqueles pobres coitados que acham que se o mundo é hipócrita devemos baixar a cabeça e chutar cachorro morto para que a vida possa ser vivida sem maiores incômodos, preferem que as coisas continuem na mesma, na merda, na insuficiência, pois encarar que os problemas que existem com o próximo não são de sua conta é mais fácil (esses são uns fracassados que se acham superiores aos outros fracassados).
Situações assim acontecem sempre.
Como disse Ramon Gurgel: “A mentalidade não muda com a cor da calcinha/cueca que você veste na virada”.
Algumas pessoas sempre estão se propondo a mudar, mas raramente agem de acordo para que isso ocorra. Outras nem mesmo isso. O ano novo pode envolver uma nova vida. Porém, que ninguém espere que as coisas mudem porque o tempo está passando. O tique-taquear do relógio não é suficiente para tanto. Temos de ter em mente que o importante é ir atrás do que queremos com ações direcionadas e que nossas ações fazem parte de um todo, e que esse todo é cada um de nós. Vamos nos tocar!

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Imagem: Vitor Bauer.
Um brinde a essa cidade em que nasci pelos seus 413 anos. Uma cidade bonita, morna, agradável e elogiada em todos os lugares por onde passei. Cidade de grande importância quando o europeu saiu de suas terras para explorar tudo que podia - razão da qual os primeiros habitantes deste país não habitarem nossas terras; já foi Nova Amsterdã (Nieuw-Amsterdam) depois da ofensiva holandesa para não perder o monopólio da cana-de-açúcar devido a União das Coroas Ibéricas; capital Espacial, entreposto importante para a vitória aliada na 2ª Guerra Mundial sobre o Eixo Hitlerista; cidade de Câmara Cascudo, Auta de Souza, Henrique Castriciano, Zila Mamede, Nísia Floresta, Racine Santos, Nei Leandro de Castro, Zé Saldanha entre tantos outros nos quais deveríamos nos orgulhar (não aqueles "cidadãos natalenses" que exportamos, geralmente nem merecem atenção).

Infelizmente gerida por bandidos que festejaram com mesa farta nos arredores de Areia Preta e similares de especulação imobiliária não menos proporcional (estendendo-se a bares, eventos, restaurantes e qualquer outro tipo de prestação de serviçoes/comércio que seja possível superfaturar na cara dura - na maioria das vezes os mesmos também são os proprietários). Sinto apenas vergonha dessa nossa atual realidade. No mais, apesar dos pesares, eu amo esta terra, mas a cada dia que passa eu percebo que meu lugar não é aqui. Vai entender...

Parabéns Natal! Pelo menos ao que ainda resta de ti.
(@Ramon Gurgel)

"Tem um rio e tem o mar.
Cinemas. Autos.
Sal de Macau. Algodão do Seridó.
Cera de carnaúba. Couros.
Açúcar de quatro vales largos e verdes.
O pneu amassa o chão vermelho
dos comboios lerdos, langues, lindos.
Poetas.
Morros, areias, orós, mangues,
siris e aratus grudados nas pedras.
Centros operários.
Cidade pintada de sol
com uma alegria de domingo.
À noite, pesca de aratu com facho,
nas praias longes de Areia Preta.
Cajueiros. Coqueiros. Mongubeiras.
Bailes do Natal-Club.
Luar impassivelmente romântico.
Serenatas.
Bó-nito! Grog à frio.
Magestic, Anaximandro, Cova da Onça.
Bonds. Auto-Omnibus subindo.
Pregões.
Por cima das casas, zunzeiam, ronronantes e zonzos,
motores roncando no caminho sem rastos dos aviões."

(Cidade do Natal do Rio Grande - Luís da Câmara Cascudo)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Natal





 












Passei com uma coroa triste.
Os filhos viajaram e o marido tem outra.
Fiz lentilha, chester e arroz.
Bebemos algumas garrafas de vinho
E a comida está fria sobre a mesa.

Ela é tão sozinha quanto eu,
A diferença é que uma foi abandonada.
O outro tomou uma decisão.

Transamos como ela queria.
Gozamos quando ela queria.
Paramos para ela dormir.
Ganhei meias.

Eu poderia ter filhos, mulher, emprego,
Vida...
Optei ser escritor
Criticado.

Optei viver da alma
Deixando-a solta.

Feliz Natal é o caralho!
Ela ronca.

Por: