Echo, echo, echo(...)

terça-feira, 25 de junho de 2013

Ah, (IN)Feliciano de uma figa!

Ainda bem que eu não tive trabalho para expressar em palavras o que eu acho disso tudo, pois meu querido amigo Ricardo o fez (e belamente):

Cura gay

Problema que deveria ser abordado na “resposta” de feliciano: mostrar que as alterações propostas são coerentes e devem ser efetuadas, além de mostrar que usar o termo “cura gay” para atacar o projeto é absurdo e desonesto.


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Argumentação de Feliciano


Para referência, o tempo do vídeo aparece entre parênteses, sendo nesse formato: XmY, onde X = minutos e Y = segundos.

1 (1m25) - o nome cura gay não corresponde à realidade. Afirmar isso é desonestidade intelectual.


Vejamos: o projeto visa, dentre outras coisas, retirar o parágrafo:

Parágrafo único - Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.

Ora! O texto diz que os psicólogos NÃO DEVEM colaborar com tratamento ou cura da homossexualidade. Ao extraí-lo, é óbvio que se está abrindo uma possibilidade de que isso seja feito. Logo, o nome cura gay, embora impreciso e de caráter retórico, não é absurdo.

2 (2m00) - ele (Feliciano) não criou;


Afirmação irrelevante para o objetivo principal.

3 (3m00) - apenas é retirado o parágrafo único, não o artigo 3º e que ele arranca a menção à cura, já que não é doença.


É justamente por não ser doença que o parágrafo diz que não se deve curar. Novamente NÃO se deve. Segundo o CFP, em parecer que merece ser lido por quem acha que eles estão errados (link), a resolução foi criada justamente por que houve denúncias de tratamento da homossexualidade.
Se estão tratando um problema atuando no ponto errado e eu faço uma resolução impedindo que atuem nesse ponto, me parece absurdo alguém me criticar dizendo que eu estou me referindo a um procedimento errado.

4 (3m33) - Dep. Anderson Ferreira não compreende porque esse nome de cura gay.


Porque a proposta enfraquece um mecanismo de proteção (o tal parágrafo) para que não seja tentada a cura, conforme explicado anteriormente.

5 (4m45) - os “inimigos” tentam, de maneira irresponsável, jogar as pessoas contra a CDH e contra a bancada religiosa, o que seria, no último caso, preconceito religioso.


Os “inimigos” estão criticando um ponto objetivo. Pra mostrar que a crítica é irresponsável é necessário argumentar corretamente (o que ainda não vi). Quanto ao preconceito religioso, é outro assunto.

6 (5m09) - No projeto não aparece o termo “cura gay”. Ele aparece é no parágrafo 3º da resolução do CFP. Ou seja: o projeto não fala de cura, mas a resolução sim. E é esse parágrafo que o projeto arranca fora. Justificativa: o parágrafo impede o psicólogo de estudar.


A primeira parte é a repetição do que foi falado anteriormente (e que beira o absurdo).
A justificação dada não segue do parágrafo. É preciso muito, mas muito malabarismo pra ver no parágrafo um impedimento ao estudo do psicólogo.

7 (6m10) - como não há um consenso de todos os psicólogos do mundo inteiro a respeito da homossexualidade, ela ainda está sendo estudada. O parágrafo em questão impede o profissional de estudar o assundo.


S E N S A C I O N A L!

a) Não é necessário (geralmente sequer é viável) esperar consenso da totalidade.
b) O fato de ela estar sendo estudada não significa que esse ponto específico (não dever ser tratada como algo a ser corrigido) não esteja bem assentado de acordo com o que se sabe até agora.
c) Novamente a questão absurda do impedimento do estudo.

8 (6m35) - Repetição de que o projeto retira a referência à cura


Novamente a repetição do absurdo, mas dito de maneira a fazer parecer que a proposta é positiva ao rerirar a menção ao termo cura, ignorando solenemente a presença do NÃO e o motivo pelo qual o CFP fez a resolução.

9 (7m15) - Parte científica sobre genética e determinismo: ele fala apenas parte do que se sabe até agora.


Imagino que ninguém espere muita precisão no que ele fala sobre genética. Muito melhor é ver o vídeo do Eli Vieira (link) a respeito. De qualquer forma, é irrelevante no momento, já que ele não construiu nenhum argumento a partir disso.

10 (8m30) - Ele afirma absurdamente que o artigo 4º fere a liberdade de expressão


Esse artigo é perfeitamente coerente e diz claramente as condições que devem ser observadas (NÃO reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica).
As liberdades têm hierarquia. A liberdade de expressão não é absoluta.
Ainda diz que isso impede o debate, quando o que ele trata de impedir é a divulgação de informação daninha à sociedade.
Academicamente pode haver o debate e pode-se defender (com argumentos) qualquer posição, por mais absurda que pareça.
Termina dizendo que psiquiatra tem de estudar comportamento, como se esse artigo impedisse o estudo. Mais um absurdo.

11 (11m00) - Diz que os “inimigos” mentem ao dizer que eles estariam aprovando a cura gay


Se deixarmos as picuinhas sintáticas de lado, eles estão abrindo uma porta para que se possa fazer justamente isso: tratar e curar a homossexualidade, já que o artigo impede que isso seja feito.
Pra fechar, a hipótese de que ele teria sido um bode espiatório. Como checaríamos isso? E que impacto isso tem na decisão pela aprovação ou não da proposta?

12 (11m50) - Ele é honesto, pai de família e uma boa pessoa.


OK.
E???

13 (13m50) - novamente o apelo ABSURDO de que eles é que estão a favor do bem ao apagar da resolução a palavra cura gay.


Repetição. Já comentado anteriormente.




-Ricardo Pereira (Rhalah) (um muito obrigada por elaborar este material com palavras e lucidez primorosa).

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