Echo, echo, echo(...)

segunda-feira, 19 de março de 2012

CINZAS

                                                                                                                                                                                               (de interpretação)



Sente, meu bem,
O vento e as sensações que ele traz (...)
Agora imagina
De mim os sussurros do vento,
Em você os arrepios
Percorrendo espaço e tempo (...)











(de miséria)

A pessoa moderna
Achando que a sua verdade
É a única verdade
Imagina beijar bocas apaixonantes
Enquanto reclama
Troféus de misericórdia
Num mundo
Onde não move uma palha.

(de constatação)

As vadias que conheço não usam vermelho
E a pederastia é seduzida por suas crianças
Num canto escuro da praia.









(de fantasia)

Um rosto bonito
Quase angelical
Espalhando conselhos de diamante
Presenteou minhas mãos
Com realidade transformável em sonho.

domingo, 18 de março de 2012


ATOS I

 


Caminhando
Como se dançasse exalando o enigma
A cerimônia
De todas as noites se faz presente
Num lugar perfeito
A taça de vinho tinto barato
O ambiente com pouca luz
Os lençóis queimados pelo cigarro
Acenam as mãos
Numa convocação sem palavras

Solidão é para poucos.

ATOS II


Cedo do dia
A noção da cabeça latejando pesada
E o que resta
Marcas arroxeadas pelo corpo
Do dinheiro
Trocados podem confirmar
À minha memória comprometida
A verdade de quando a porta se abre
Para que seus acidentes gráficos transformem em ritual
A minha dormência.

terça-feira, 13 de março de 2012




Alguém mais, além do grande artista,
Estava acenando de longe para meu rosto pálido
Com oferendas de dias inteiros de amor
O pouco que sabia,
Sufocado em uma garganta de gritos,
Seria compensado durante esses dias:
Meu rosto emudecido
Nada podia compreender.

segunda-feira, 5 de março de 2012

OUSADIA

Para aqueles que correm de um relacionamento mais sério (não se permitindo assim experimentar a aventura do que poderia ser), que fogem de se revelar, que temem a palavra namoro. A todos que disseram que o amor é brega – e eu acredito que seja –, ainda assim: eu sou brega.

Na foto: (catalogo para revista) Narayana & Pepper.




Geralmente marcávamos o passo no compasso do próprio caminhar. Era tudo que precisávamos: aquele bailar de pernas entregues, sem qualquer desculpa para uma postura mais atrevida. Por vezes, esse balanço era interminável: quando nos percebíamos vagamente tristes.
     Às vezes, riamos baixinho, risos de redenção numa fileira de dentes brilhantes, emoldurados por lábios de rebordos escuros – dava para sentir o convite da vida através daqueles sorrisos. O medo espreitava. Nós chorávamos.
     Era uma noite colorida no mundo onde há de tudo. Estiquei a mão e chamei para uma dança, mesmo não havendo música alguma. Girávamos preguiçosamente, entrelaçados. Nossos desejos existiam totalmente, numa realidade verdadeiramente incompleta. 
     Conscientes de que nada dura para sempre, sucumbimos ao raiar do sol. A luz trazia essa constatação. Com essa luz, os giros da dança e a postura ousada éramos descobertos. Esperávamos que a promessa morna de uma afeição profunda nos levasse dali: um namoro poderia acontecer. Seria a construção de um novo abrigo. Numa rima audaciosa, a destruição de um receio antigo.
     Os olhos se encontravam. As vozes emudeciam:     
     podíamos andar de mãos dadas.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Na foto: Narayana.
 Atendo por vários nomes no meio do povo, por vezes, tudo se escapa de mim. Principalmente o que é estranho aos sentidos, então eu me viro atendendo a quem me chama. Castelos de areia para crianças cruéis, eis o desejo das marionetes tornadas mães. E eu apenas posso cogitar compromisso ao pé da cama do mundo.
  
Agracio mais que devaneios, neste emaranhado abafado e cheio de pó das avenidas. Certa aflição por corpos suados e vinho tinto me arrebata; ambição profunda pelo que entorpece. Guerra fria, duelo que manda cumprimentos agradabilíssimos, ilusões de fim de noite.
 
 Os personagens são os mesmos.
 
Embora se encontrem carcomidos e gastos, completam a multidão de promessas e códigos para sobrevivência: os demônios pedem sossego para continuar vivenciando o que não pode ser interrompido.
 
O tempo é outro.
 
Mantem a mesma robustez entre os termos de conduta: age como age e eu posso compreender sobre quem é você e quem sou eu.
 
Vigor de mocidade compromete meus pensamentos com sua oferta de regresso. Veludo e navalha na carne, movimentos de vai e vem pelas esquinas da cidade e hálito quente de bebida aquecendo os corpos que se entregam buscando alívio.
 
Os personagens girando em círculos, às vezes, sensuais.
O tempo revivendo seus mitos, nem sempre, reais.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Posso explicar o que é sempre mais fácil


.
Todas as bocas que beijei
Nunca poderão saber que através desses beijos
Pude aprisionar as vogais de minhas linguagens ancestrais,
Em um não sei onde cheio de efeitos
Servindo de brinquedos
Jogados ao vento pelas crianças
Em jogos de mandinga e astúcia.
Papel terrível que me mira o cenho franzido,
De seu brilho hipócrita de não saber sorrir
(onde pode ser descrito
desde bem cedo as vidas pouco vividas
e permanecer embaraçado perante a morte
sempre que deparado com uma sequência insone
de respostas para perguntas que ainda não foram feitas),
Dize-me de tua violência nativa,
Pois só sei explicar o que é fácil
Direto da veia pulsante de um cotidiano lirista e da histeria abstrata,
Precipício de névoa a cada passo
E diferentes bocas quentes numa noite qualquer
- embriagados nas esquinas do mundo. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Jogo

Tempos atrás, veio e me convidou para um jogo que consiste em elaborar uma lista com oito coisas que eu gostaria de fazer antes de morrer. Eis a minha lista:

1 – Prolongar o meu caminho para a realização ao máximo, para poder curtir cada momento, inclusive o da ansiedade;

2 – montar uma puta dvdoteca, onde eu teria o prazer de passar dias inteiros escrevendo e produzindo projetos pessoais;

3 – passar uma tarde na praia com Selton Mello e mais uns quatro intelectuais dispostos a fazer uma suruba poética;

4 – alugar um carro e viajar pelos interiores do Brasil, sem dia nem hora para voltar;

5 – tomar uma taça de vinho com Michael Pitt;

6 – passar um final de semana com Giovanna Casotto, desenvolvendo a arte dos desenhos eróticos;

7 – promover uma rave-intercâmbio entre meus novos e meus mais antigos amigos;

8 – ser comida na chuva.

Obs.: faz parte do jogo indicar 1 blogueiro para dar continuidade a brincadeira. Minha escolhida é: Radharani Ribeiro, vulgo Drama Queen.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

E inveja lá mata, mermão!

http://horvallis.free.fr/photblog6/fees.jpg

Um ano atrás, tava eu, muito bem obrigada, sentada no balcão do Gringo's Bar e conversando com uma amiga de outros sex on the beach, aí entrou uma mina (gata não: a mulesta). O bar inteiro parou para olhar. Eu pensei: “Uau”!, e minha amiga olhou com cara de inveja, sabe aquela cara de quem quer rasgar a cara da outra com gilete?, pois é – também pudera: a gostosa, digo, a mina, parecia com uma ninfa dos mares em gênero, número e grau, tava usando uma calça de funkeira “torando” , que parecia mais o rabo de uma sereia, e um top dourado (tamanho pp por certo). A pouca roupa que ela usava nem precisava brilhar na luz negra para acentuar a cintura de pilão da desgraçada, digo, da moça, e os cabelos em forma de onda descendo pelas costas faziam da criatura um composto ainda mais perfeito. Minha amiga foi logo dizendo: “Puta que o pariu! Pra quê isso”? Eu fiquei rindo, a doidinha era linda, eu ia fazer o quê? Foi quando a “mina perfeita” abriu a boca e perguntou para o Wesley se no Gringo's não rolava um Michel Teló da vida. Eu pensei: “Caralho, ela tem um defeito e, puta que o pariu, o defeito é mental”. Ela dizia: “Beibe, será que você pode me deixar em casa hoje”? Minha nossa Senhora!  Lancei para Wes o meu olhar de “diga que ela não é sua amiga, “pelamordedeus”.
 Ele disse: “Ela é bonita, perdoa-se”, riu alto e completou, “depois despreza-se”. Wesley “safadão” enlaçou a moça pela cintura e deu-lhe um “xêro” no cangote. E se teve algo do qual eu tive inveja aquela noite, foi do orgasmatron violento que com certeza eles iriam ter depois que o bar fechasse. A vida é doce.