Echo, echo, echo(...)

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010


“A minha verdade
é algo que se acrescenta ao que já sou,
e algo que se retira,
e algo que se transforma.”

- Marly de Oliveira.


Procuro e encontro coisas que me sacodem a alma. Contribuo de qualquer forma para que pessoas que tripudiam e falam mal dos outros assumam uma conduta menos miserável. Sou efervescente. Tenho tempo e oportunidade. Minha estrada é torta e íngreme por ser a estrada que ELA, uma outra que existe em mim, e que ainda não sei quem é, escolheu para caminhar.
Afasto-me do medo de ter medo – mesmo quando há uma certa escuridão no olhar.
E todos que estão próximos a mim sabem que sou igual a qualquer um, mas com tantos outros mins habitando o mesmo espaço, tão consciente de minha multiplicidade que só por isso sou quem sou.
As pessoas comentam sobre meus atos, mas não me conhecem. Olham quando passo, mas ao se curvarem não me veem.
Sou amada deveras,
desejada deveras.
Sou sonho real. Não me perco senão em mim mesma, pois sou parte de tudo que se vê e de tudo que não se vê.
Sou a eterna novidade das coisas que, mudando, permanecem.
E daí se a vida aqui e ali me dá limões?
Poderia de vez em quando fazer uma limonada e vez por outra perguntar por sal e tequila, uh?

-Justine Febril.


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O Homem que Odiava Compromisso (5 trechos).

http://www.progressiveart.com/rut_alla_breve.shtml



Estava habituada com o anti convencionalismo de Samir, mas só Deus sabe o que eu havia passado para aceitá-lo e compreender que ele é o que é: peso! Samir é peso!!!(...)
(...)Anti-convencional, impulsivo, repulsivo, bonito, muito bonito e verdadeiro – tanto que machucava.(...)
(...)na véspera do meu aniversário Samir me aparece com uma puta feia e viciada em pó em cima da cama. A puta tinha a boca torta e vestia a camisa dele. Ele estava deitado com a bermuda aberta e o pau para fora.
Eu disse “puta que pariu, Samir!” tentei escrachar com a situação mas ele estava tão bêbado que eu cheguei a pensar que ele talvez não tivesse escutado merda nenhuma do que eu dizia, então ele veio com aquele discurso imbecil de que já tinha me avisado que era daquele jeito. Eu disse “realmente você me avisou, e me avisou também que passaria a semana do meu aniversário comigo.” Eu estava com a cabeça a mil por hora, mas consegui, sei lá como, não gritar nem chorar.
Ele disse para eu não engolir corda, disse que a puta – que se chamava Juliete – havia apenas ficado no “hand job” e disso não tinham passado porque ela queria dinheiro e ele não o tinha. Caralho, caralho grande de asas, vontade de matar, vontade de gritar aos berros e vontade de comprar a puta, só para poder descontar nela o que não poderia descontar nele.(...)
(...)Ele vivia dizendo “Você acha que o meu mundo é o seu mundo, Gabi?!” ou então “Você acha que o seu deus é o meu deus?”(...)
(...)Eu estava sempre com raiva da conduta de Samir, até que um dia percebi que ou eu estava com ele e faria parte de tudo aquilo, ou dava as costas e não faria parte de mais nada, ia embora de uma vez, e foi aí que eu aprendi a fingir que não me importava, e comecei a fingir tão bem que no final, até eu mesma pensava que não me importava de verdade. Primeiro achei que era louca de tentar manter um relacionamento sadio com alguém como ele. Todas as pessoas que eu conhecia me diziam que eu iria acabar me ferrando feio. E eu lá fingindo aceitar tudo numa boa e crendo que era realmente o que eu sentia. Meu fingimento trouxe consigo a minha crença de que o mundo era doce.
Quatro semanas depois de eu haver adotado essa conduta Samir me propôs que morássemos juntos. Céu azul anil, peixinhos dourados num aquário gigantesco, vida, vento e brisa, sol e brisa e a voz de Samir ao pé do ouvido durante um abraço de três segundos.


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Nada é mais seguro, tudo é de se esperar.

-Arquíloco.


Na foto: Narayana, se fosse uma capa de cd.

Bom, senhores, agora venho eu hoje tentar tecer linhas sobre a magnitude do amor. Tudo é admirável na totalidade do que representa o amor. Eu gostaria realmente de lhes contar sobre o que é o amor para mim, gostaria mesmo, seria algo muito surpreendente, lógico que os exemplos teriam seus altos e baixos, mas seria muito longo falar sobre o que é o amor para mim (ou não?), creio que não seria muito difícil de entender, e seria surpreendente, com certeza, muito surpreendente, porque não é sempre que os senhores vão encontrar uma mulher como eu ainda viva e na flor da idade, ah, não vão, e por isso é que eu acho que seria interessante falar à respeito do amor sob minha ótica. Bem, mas acho que só vou começar mesmo num post futuro, pois o meu medo é não saber escolher de que forma irei contar sobre isso de uma maneira que fique atraente e agradável de ser lido. Ou é isso ou eu renunciarei à sublimação que eu tanto aprecio. Para dizer a verdade não tenho a menor ideia de como vou fazer isso, só sei que mais cedo ou mais tarde, essa vontade de escrever sobre o amor vai ultrapassar esse receio de não conseguir se fazer entender (ou não?). Provavelmente será um conto, um mini conto, ou poderá ficar melhor num texto objetivo e pragmático. “Lord Byron, Charles Baudelaire, D'annuzio, onde estão vocês?” Vou começar a escrever sobre o amor qualquer dia desses. Escrevo sobre a maioria das coisas com muito conforto e agilidade. Não sei por que com o amor não pode ser assim. “Tiziano, Giorgione, Veronesse, “mein herrlicher Klint” e até você que lê isto , vocês já deram a alguém carne para incendiar o sexo?” É isso, senhores, o post de hoje serve apenas para ratificar a promessa que fiz dia desses. Vou lá. Quem sabe eu não consigo já ir produzindo coisa que preste antes de amanhã, uh?

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Da ignorância ao conhecimento.



Estava ouvindo Matisyahu e escrevendo(...)
Sabem, senhores, aquela história de cada um de nós ser mais atraído pela novidade do que por qualquer outro aspecto? Pois é, o novo exerce mesmo permanente fascínio sobre nós, uma vez que a impressão provocada pela novidade, positiva ou negativa, é uma conquista única e “invivenciável.”
O aspecto de novidade é tão absorvedor que tanto o que é belo quanto o que é grande vai perdendo o encantamento à medida que o objeto vai perdendo a sua novidade.
Ora, vocês já devem ter passado pela experiência de perguntar para uma certa pessoa por que mesmo tendo um relacionamento muito bom, dormia com outra(s) pessoa(s) vez por outra e deve ter escutado a popular frase: “feijão com arroz todo dia enjoa.”
Ah, vamos combinar que enjoa mesmo, não é?
Aí vem a novidade e nos seduz, nos apraz(...)
mas isso foi só um exemplo cretino sobre esse aspecto universal do ser.
Okay, okay, todos os seres amam o que é novo e se revestem dele. Mas há casos em que se consegue manter um certo atrativo, mesmo vivenciando um pouco de vazio e uma sensação de tédio na ausência de novidade: depende do quão raro e mutável o objeto consegue ser para que se conserve na relação desconhecido/novo um nível de encantamento na repetição.
Existe algo que não é novidade mas que é forte e atraente o suficiente para nos fazer querer vivenciá-lo mais e mais não importando, por vezes, quanto tempo passe.
Mas o que é isso que move mundos? Que nos faz flutuar? Que nos deleita, nos consome, marca, completa? O que é? O que é? Onde nasce? De onde vem?
Agora é o momento onde me perco, senhores: falar sobre amor.
Ai, me atrapalho inteira quando tenho de falar sobre algo que me é tão simples. Vocês conseguem entender? O amor é realmente simples. O difícil é transmitir de forma clara e criteriosa o que ele representa para mim. Prefiro me despedir com a promessa de uma crítica futura sobre esse assunto. E para não largar de mão, vou encerrar com uma frase cretina, porém verossímil, o post de hoje:
“A paixão é sempre monogâmica. O amor, não. O amor costura para fora de vez em quando.”


quarta-feira, 24 de novembro de 2010


Afinal de que adianta dizer algo para ouvidos moucos? - e isso não seria totalmente em vão?
Então eu escrevo para enxergar além do viés distorcido do que é o mundo material. - Essa versão inexata do essencial não me cega a visão
Ainda asssim, há os raros momentos em que fatores externos conseguem fazer com que eu volte no tempo, com que eu me sinta preso no poço sem fundo das preocupações estéreis. - Isso dura 5 minutos.
Depois, lembro de ficar feliz pelo fato de viver em plenitude.
Sou ele
Sou ela
Sou o que existe.
E a partir de mim, todos os outros.

- Salvador Rios.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

REFLEXÕES SOBRE MEU EU TRANSITÓRIO (TRECHOS)



“Os aspectos da aparência produzem um efeito que tende ao absoluto: o belo produz uma sensação de prazer; o feio, de terror.”

    Pedro Lyra


Os mais belos, para mim, são aqueles que não se esgotam em si mesmos, que têm alguma força de sugestão para transitar da treva para a luz.
Sou daquelas que creem que aparência e essência se condensam. Gosto daqueles que existem per se, em si mesmos ao alcance de qualquer um, porém, sensação de prazer mesmo, eu tenho através daqueles que só podem existir em outro ser.
Gosto de estímulos que solicitam respostas. Quando esse estímulo brota, senhores, consigo me perder entre novidade e antiguidade fácil, fácil. Exatamente como se decolasse numa transitividade louca dos sentidos. (…)
Eu me lanço no embalo ao me permitir pertencer, ao reconhecer alguém que tem a natureza de causar, de produzir, de consistir. Gosto de me sentir formada e digna. Mais do que isso: sou um ser que tem atributo e um modo de existir – não em mim por mim, mas por alguns aspectos que existem no outro (exatamente aquele outro onde me instalo e que me impulsiona, como se pode perceber facilmente, ao exalar todos os aspectos pelos quais as coisas do mundo se exteriorizam e me provocam). - Sou a própria face captável de uma essência transitória ao avesso: não peço complemento, embora possa me moldar e ser aquilo que completa. Mas aí já depende do quão provocante aos meus sentidos, à minha sensibilidade ou à minha consciência os atributos do outro podem ser. (…)
Em minhas relações, não posso conceber nenhum outro ser existindo fora de mim ou de todas as outras mins que habitam os mundos e nem eu devo existir fora do outro ser e de todos os outros seres que subsistem. Devemos estar encravados, enroscados, arrebatados, já que a coisa em si e não no outro é inacessível.(...)
Dessa forma estou entrelaçada a muitos e muitos estão entrelaçados a mim.

    Justine Febril.

Nota: como puderam perceber na foto acima do texto, eu mudei um pouco o visual. Espero que o efeito produzido cause boas sensações. Encerro o post de hoje com um trabalho de Lucio Salvatore. O dia permanece quente.
Até breve, senhores.


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Subjetiva eu?



Para começar(...)
O primeiro princípio norteador, que eu considero hoje como relacionamento ideal, causa ligeiro mal- estar logo de cara para alguns – muito natural, já que eu mesma tive um susto quando percebi que o valor ideal de amor não se baseia em romantismo e fidelidade e sim em companheirismo e lealdade. Graças aos deuses, completo eu, porque sendo assim a possibilidade de algo maior e eterno pode vir a ficar perto de nós.
Gosto de pensar que sentimentos nobres, ao alcançarem certa despretensão se humanizam. E é justamente esta humanização que nos permite aproveitar melhor a vida, recuperando muitas vezes com a outra mão aquela profundidade de significado que toda existência tem. Compreendendo isso, recuperando esse acabamento de forma, essa intensidade extraordinária que está inerente a cada ser em sua essência, podemos fazer de nós mesmos inesperados, embora discretos, candidatos a perfeição: podemos ser pequenos deuses; partículas de luz; energia pura. Podemos nos ocupar de viver.
Numa época de envolvimentos efêmeros, essa concepção do amor leal, onde a validação consiste em ser feliz e desejar a felicidade do outro, que se caracteriza como algo além do convívio do dia-a-dia, mesmo que os sentimentos estejam entrelaçados à vida cotidiana ou sobrevivendo de forma despojada, não é, contudo, muito fácil de ser absorvida como foco vital numa sociedade que caminha sempre ao contrário, uma sociedade que mantém o egoísmo, a falta de controle e o passional surgindo constantemente, nos tornando sementes ruins. Mais do que isso, nos tornamos seres de extensão limitada, sem a capacidade de governar a nós mesmos.
Ora, senhores, seria correto eu dizer que cada um de nós não teria a capacidade de administrar essa vontade própria? Eu disse ADMINISTRAR. Ah, sim. claro que temos essa capacidade. Mas para isso, temos de saber quem realmente somos e o que realmente queremos para poder reger nossas necessidades. E quando digo necessidade não falo de um desejo débil, não. Nós temos de nos sentir bem, viver bem e, enfim, tratar de ser felizes. A vida é curta e é boa, e o amor é essencial e dele precisamos estar repletos, nossos potes têm de estar cheios.
Ainda digo mais, esse tipo de pensamento quase caminha de mãos dadas com o chamado amor polivalente, justamente por ir contra a tendências aparentemente fundamentais do meio em que aparece: sempre batendo de frente contra as convenções sociais.
Como tema predominante, aqui no post de hoje, eu quis ressaltar o amor sob uma perspectiva menos mesquinha, assumindo o indispensável e inevitável abrir de olhos que me acometeu há algum tempo, e que achei tão belo ao assistir “Um sonho de liberdade”: pessoal, tudo na vida se trata apenas de “ocupar-se de viver ou ocupar-se de morrer.” E é isso. Uma explicação melhor é sempre a explicação mais simples.
A vida é curta e é boa, senhores. Ocupemo-nos de vivê-la, então.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Nova Era do Mesmo.


Na foto: Unhas vermelhas de Narayana e unhas Verdes de Radharani
Era
Sempre a mesma coisa. Depois nada mudou.
Eu
Invocava tu e tua boca, e pedia que não me falasse do passado.
Você
Sendo o mesmo cretino: vivendo de memória.
Sempre
Pedindo para eu partir com um rapaz que ficasse acordado só para me ver dormir.
Eu
Carregava meu amor e meu tédio para bem perto de onde quer que você estivesse.
Você
Sem o costume de ficar longe de nossa própria convivência, encobria o terror que vinha da luz.
Era
Eu
Você
Sempre
Eu
Você
Depois a mesma coisa
Nada mudou.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010


Não existe mais erro para ser cometido
às atrações circenses só resta ir descansar
sob a luz frouxa que precede o nascer do sol
e persiste algum tempo depois de ele se pôr:
a saturação de ontem e um dia antes
e à noite, de olhos bem abertos,
direcionamos nossas mãos aos pobres réus
para clamar por novos movimentos de vai e vem.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Cinema curto.

Na foto: Narayana & Christopher.

Ele ficava lá parado,
olhando-me através do reflexo no espelho
por intermináveis momentos.
Eu era uma dessas pessoas que acreditam no amor
mesmo não estando apaixonada.
Nosso abraço me lembrava o roçar de um tecido aveludado sobre o corpo.
Para fugir do convencional
mantínhamos nossa relação poliamorosa:
sempre esbarrando em valores sociais.
Ele nunca dizia “eu te amo” antes repetia
“encontre alguém melhor que eu.”
Mas eu não encontrava,
tampouco procurava.
Permanecíamos com nossas palavras impossíveis
fazendo-nos rir às gargalhadas.
Ele ficava lá parado,
olhando-se através do reflexo no espelho
por intermináveis momentos.
E eu nunca conheci alguém mais feliz.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Still fine.

Hi people.
I haven't been on here in WEEKS!!!

I'm sorry I abandoned you, guys. I'll be active again very soon.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Considerações (do ano passado).

 Não consigo saber tudo o que se passa no mundo inteiro e não acho legal essa tendência de hoje. Acho que o bacana mesmo seria que as pessoas selecionassem o máximo possível aquilo que veem e leem. Há pessoas que parecem querer falar sobre tudo – como se fosse possível alguém entender bem de tudo – e acabam se perdendo no meio de uma conversa, pois nem elas lembram sobre o que estavam falando no início. Claro que eu tenho ainda muito disso – notem que me estendo com facilidade ao escrever sobre o que quer que me venha à mente – apesar de estar galgando a elite dos autores, ainda perco muito tempo com informações que, não só me interessam pouco, como não me acrescentam nada. Sofro por ter nascido num lugar com insaciável sede por auto-exposição. Sei que isso é muito provinciano. Mas realmente não consigo ir com calma, vendo o que de fato importa. Meu problema maior é não ter paciência (...) bem, ao menos eu procuro distinguir o atual do conservador. Ora, o que importa é ser governante de si, não se deixar rotular, monopolizar ou rebocar por velhos dogmas, clichês ou hábitos, é estar centrada em mim e não nos outros. As pessoas estão numa corrida desenfreada por informação e isso é deveras ruim. É uma competição onde cada um quer estar mais por dentro que o outro. Sei que ainda não fujo à regra: ainda sou assim, apesar de ficar tonta com esse marasmo de ideias. Sem isso acho que me sentiria deslocada. Resultado: entendendo um pouco de tudo não sei satisfatoriamente de nada! Meu consolo é saber que uma postura mais solitária me faz muito bem quando eu a adoto. E é a que tenciono seguir mais dia menos dia, uma vez que pude perceber com clareza dolorosa que estarei no caminho certo agindo dessa forma para depois de tudo acabar me sentindo perdida, como se Manoel Bandeira virasse o conselheiro do mundo depois que se descobrisse que as passagens pra Parságada estavam esgotadas desde meados do século passado.

Esse texto foi publicado numa sexta-feira, 23 de outubro de 2009.
Já faz quase 1 ano. E tudo que mudou foi a cor do meu cabelo. Ao menos serve para o post de hoje - posso copiar e colar.
para quem não havia lido ainda, boa leitura
e para quem já leu, reconsiderar.




Obs; para ouvir e ver o video (se possível):
Suede "Attitude."

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Uma poesia rimada que é uma resposta(ou várias)
Escreve-me perguntas de amor e eu leio tudo e não calo.

COMO POSSO PREFERIR(...)

É bom quando é maior o volume de desejo
É melhor quando existe alguma ardência no que vejo
É perfeito quando o (que) falo é suficiente
Fica mais fácil chegar a um estado mais envolvente

É bom quando o parceiro gosta de variar,
Pois gosto de novidade, de praticar 
Enxergando além do mundo comum de um vai e vem
Não há nada melhor que fazer o que se convém

Carinho é bom nos entretantos, por vezes nos finalmente
Gosto de me sentir de carne e osso alcançando um ápice decorrente
Gosto de me sentir arder, de ser invadida, possuída,
Com lentidão preliminar e rapidez no desenrolar

Mas posso preferir o contrário, dominar, comandar, controlar
Depende de pra onde quero "viajar" - depende da luz do luar
Falo (o) necessário, gosto de dor e danos
E também, em dias banais, de consolo por debaixo dos panos

Há dias em que gosto de contado superficial, só beijinhos e mais nada
- Afinal, num elevador, pode aparecer a pessoa errada
Porém, nada me impede de ser impiedosa
- É incrível o poder de alguém que sabe como se goza

Por fim, gosto de voz firme ao pé do ouvido
E não me importa se o dia já tiver amanhecido
Gosto de estar nua, escorregar em devaneios
Gosto de perder os sentidos, de formigamento entre os seios

Mas disso é fácil saber: meu clima é não ligar para o que vai me acontecer
Espero que você tenha entendido o que quis dizer realmente
De pé ou deitada, simplesmente
Sou duas: fúria e calmaria, num só ser envolvente.

(Narayana Ribeiro em resposta ao beat Mauro Mazza - 28/09/10)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

(Re)comendo

 
Para ouvir:
(canção para noites de reuniões agradáveis) "Seda", Lobão e Cazuza;

Para ler:
"Pico na Veia", Dalton Trevisan;

Para ver:
"Dogma Feijoada", Jeferson De;

Para Acessar (e quem sabe fazer parte):
http://fantasticon.com.br

Para beber com os amigos:
Sangria - abaixo segue receita.



Você vai precisar de:
☻1 garrafa de vinho tinto seco
☻1 lata de refrigerante de limão
☻1 dose de licor de laranja
☻1/2 copo de suco de laranja
☻2 maçãs picadas
☻1 abacaxi picado (sem o miolo)
☻1 cacho grande de uvas (tipo Itália) sem sementes
☻cravo da Índia (uns 3)
☻açúcar a gosto
☻gelo picado a gosto

Ponha as frutas numa jarra grande de vidro ou numa tigela, com o açúcar adicione o suco de laranja, o vinho, os cravos, o refrigerante, o licor e o gelo.
Enfeite a jarra com cascas de laranja e limão e beba até sorrir.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Cedo da tarde.





Estava quieto tentando concluir meu relatório, quando ela entrou.
A gente se olhou. Eu sorri despretensiosamente.
Ela desabotoou o blazer, colocou as mãos na cintura e pôs-se a pensar.
Ia perguntar se queria se sentar, e ela, sem pedir licença, passou em volta da mesa, pendurou-se em meu pescoço, beijou minha boca e foi deslizando, até se aninhar entre minhas pernas e ficar por ali,  abrindo boca e zíper, cuidando de tudo.
Doida. Em tempo de o chefe entrar.
A doida foi embora me fazendo recorrer ao banheiro do escritório (como se eu tivesse 15 anos).
Eu não entendi nada - mas também pra que entender tudo, né?
Eu tinha o número do telefone dela.
Essa seria uma outra noite mal dormida.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

E desta vida, afinal o que importa?


Saber do vício feliz.

Que existe uma alma, cujo destino está vinculado ao seu e que todo mal resolvido se resolve com o segundo telefonema.

A razão é sempre submetida pelo amor que não tem razão – nem a percebe impressa em gestos.

Parar para pensar.

A luz forte ilumina minha camisa de ousadia."Ora, vá: acenda um cigarro e fume o silêncio".

Vejo a porta se abrir e pressinto o afago emergencial que se aproxima: “A juventude tem fim,” a fraude não.

Sua cantoria neurótica para embalar o momento, faz Helena Ignez permanecer lógica.

Observar suas variações corporais. Tentar resistir-lhe e desistir.

Esconder o rosto pleno de satisfação. Conservar-te na claridade.

A fraude não tem fim. O capeta entrou pela porta e eu o abracei.

Agora, recupero-me de uma lesão nos pulsos. Mas para que isso serve?

Coisas do coração. Quem se importa com isso?

Sirvo-me de mais uma taça de exaustão. Aguardo, enquanto o fingimento descansa, que o sonambulismo aconteça. - Quem sabe, entre uma confissão e outra, possamos estourar nossas cabeças com tiros de festim e auto piedade.

E desta vida, afinal o que importa?

Fazer aliados.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Fonte: Blog Pequenos Delitos.

Ficou bem real, não é?
Ficou exatamente como deveria:
tentadoramente bela!
Às vezes penso que ela pode voar.
Mas ela apenas me olha.
Apenas me olha.
Olha-me tanto com esse olhinho apertado -
e quando esse olho apertado me olha ah,
Deus, alguma coisa em mim molha.

                             - Salvador Rios.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Furacões e ilusões são as lembranças
na festividade violenta
do último encontro íntimo,
quando você, muito próxima, bateu com a cabeça na minha
e vomitou todo o vinho barato no lençol branco de algodão.
Furacão de gestos e ilusões caras, nossa vingança contra
nós mesmos,
uma conclusão rápida em cima da cama.
Depois de tudo, a sucessão de noites insones,
perambulando num doce enigma febril,
como num hospício, cálido pelo alvorecer.
Então, como num pesadelo, os olhos se abrem
verificando o cinza chumbo no céu da realidade.


Foto: ver em google: Postes na Rua do Hospício.                                 

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Romance.


Foto: Google imagens.

Paula era o tipo de mulher de meia idade que despertava o interesse de Daniel. Ela era o tipo normal de mulher: usava maquiagem para disfarçar as imperfeições que o tempo cedo ou tarde causa.
Daniel gostava de mulheres que não aparentavam desespero ao ser observadas, além do mais Paula nunca prendia os cabelos.
Ele pediu que o garçom entregasse o bilhete e uma taça de vinho e eles foram para casa entusiasmados.
Daniel sentiu um pouco de desconforto ao notar o quão sensual ela era em comparação a ele que já não estava no auge sem as roupas (ao menos seu membro encontrava-se a toda dentro das calças: ele sabia que ela o desejava, senão não estaria com ele, não é?). Ela tomou um banho curto e pediu que ele aguardasse, pois tinha verdadeira paixão por homens com o perfume misturado ao suor. Quando ela voltou, ele pôde constatar como o corpo dela era lindo, a pele lisa e limpa, os pêlos arrepiados, os movimentos curtos... como ele a desejava apesar de tê-la sempre por perto?
Quando ela abriu as pernas ele fechou os olhos, bem podia jurar que sentiu um cheiro de flores. Ao abrir os olhos teve a sensação de estar diante de uma orquídea, uma orquídea de pétalas rosadas. Ele a beijou com doçura, depois lambeu de um extremo ao outro verificando que o suco vaginal de Paula era adocicado. Ele beijou-lhe mais uma vez, sugando o mel que escorria pelas pétalas, esfregou o rosto lentamente e lançou-se com toda sua experiência na arte de fazer uma mulher feliz através da carne. O gozo fez Paula tremer inteira. Ela pegou Daniel pela mão e o levou até o pequeno banheiro. Lavou-o com cuidado exagerado.
Ajoelhando-se, concentrou toda sua energia no ato da felação, como se tivesse nascido para isso. Daniel enlouqueceu de prazer. Antes que ele gozasse ela laçou a cintura dele com uma das pernas – fariam de tudo para escapar da rotina – iniciaram uma dança parecida com um bater de estaca. Foram para a cama ainda molhados e Paula deixou que ele ejaculasse em cima dela.
Acordaram um pouco atrasados para o trabalho. Daniel tomou uma xícara de café e Paula comeu uma fruta.
Ah, essa vida de casado ainda ia acabar com eles.

- Justine Febril.

Obs.: acho que já havia publicado esse conto há tempos, mas ao ler o último post do querido Moya, não resisti e fui fuçar meus arquivos.