Echo, echo, echo(...)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Mariana e os diamantes de sonho

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Tinha encontrado a mulher com olhos de diamante em frente ao bar sem nome*. Ela mandava beijos com ambas as mãos. Garota fingida da porra. Sempre dizendo "eu te amo" por pura conveniência. Louca. Vadia. Dizia "olha, vê como sou real." e encarava as pessoas, e mostrava as pernas roliças. Reprensentava tudo e nada. Representava tudo que estava em movimento. Ela não era o universo, não é isso. Ela era apenas ela, só que esse "apenas ela" bulia com a líbido de cada sem-vergonha da rua da saudade*. É que o semblante daquela desvairada nunca brilhava frouxamente – lembrava uma personagem do velho safado, cujo epíteto era "Cass, a mulher mais bonita da cidade."
Por certo ela não pensava em nada enquanto mexia as cadeiras de mulher pequena, só para fazer despertar algo que já tinha surgido e morrido há tempos. (O bom disso é sentir as calças apertando enquanto a gente olha). Sim, sim.
Ah, conceber fantasias, em certo momento da vida de um homem, é como perseguir o fantástico: você cria e inventa devaneios e não pode alcançar a coisa imaginada. A presença daquela mulher, ali toda se rebolando, tornou-se doce deleite, enquanto eu aceitava o fato de que o real jamais ultrapassa o fictício. Então eu estiquei o braço, sim, senhores, e ela sentou-se ao meu lado, no banco duro de madeira. Fiquei sorrindo lasso enquanto o desejo imensurável engolia o momento. Quem dera Ela, e não o desejo, engolissse o tal momento.
De repente eu abri os olhos, enquanto ela me xingava assim: "ô velho tarado, tira a mão de mim." Vixe, minha nossa senhora! Eu estava parado, o braço esticado, a ponta dos dedos roçando de leve o vestido da moça. Oh! Percebi que ela não se havia sentado ao meu lado. Mas que imbecilidade a dela. Eu ia dizer isso mesmo quando um vento bateu e lenvantou a saia da insolente. Ela girou o corpo e marchou em retirada. Fiquei estático, memorizando aquela ocasião em que puz os olhos numa calcinha por feliz acaso.
Eu iria ficar ainda ali por intemináveis momentos, tomando um trago, pigarreando constante, parado no vento.

- Salvador Rios.

Obs.: Pequena alusão ao blog do precioso Al.H.

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