Echo, echo, echo(...)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

(Re)comendo


Hoje vou fazer uma recomendação para que vocês possam conhecer o mínimo do fantástico mundo de um dos meus "amores": Boris Vian.
Esse francês poeta, escritor, músico, cantor, tradutor, crítico, ator, inventor, engenheiro(...)o que mais posso dizer? Sua inflência no cenário jazzístico francês é marcante.
Boris Vian é um génio incontestável, seja em que campo for. É-me sempre complicado definir alguém assim, e acho que esse é um problema comum, afinal com tantos atributos, quem conseguiria(?). Então já que não posso definí-lo me atenho a amá-lo incondicionalmente. Isso sempre me bastou.
Estou ouvindo "On n'est pas là pour se faire engueuler" no momento. Espero que vocês gostem dessa música e se já conhecem, nossa, que bom.
E vocês também podem ouvir "The Maker Makes" do Rufus Wainwright.
O post de hoje é curto porque estou me curando do final de semana violento.

Obs.: na foto, Boris Vian, mais vivo do que nunca.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Espero tudo de um sábado à noite.


Estive confusa enquanto esperava que algo extraordinário acontecesse.
Esperava que os finais de semana não fossem os únicos dias de diversão: eu me deleitava em ser a única que não passava de recreio dentre tantas concubinas.
Estive indisciplinar. A cada semana, os sábados me encontravam mais irresistível. Eu estava sempre cheia de viço, em toda minha extensão, frívola como quem escreve sem reparar na coerência das frases.
Meus melhores dias são os sábados: posso me ver esperando por esse dia a semana inteira na esperança de que venha sempre igual.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Conversa de fora de tempo


Concordo com Xico Sá quando ele diz que ao final de um relacionamento devemos excluir de nossa rede social os ex-afetos.
Se bem que eu não concordava com isso quando tinha meus vinte e poucos anos: achava que seria imaturo de minha parte não continuar com a amizade. Hoje em dia eu simplesmente não tenho mais tempo para ficar de picuinha, então ao terminar um relacionamento, faço exatamente como o texto manda: me transformo em Lola e corro!
Conheço um “zilhão” de pessoas que fica fuçando por tempo indeterminado o profile do ex no orkut, facebook, hi5(...) Isso é realmente uma bosta. Afinal de contas, para quê ficar antenado no que já foi? Só para sofrer mais.
Ninguém merece saber que o ex não está amargurando o rompimento da relação, é insuportável estar do outro lado da canção que diz “Olhos nos olhos, quero ver o que você faz ao saber que sem você eu passo bem demais.” Isso aí: o que se há de fazer ao saber que a outra pessoa passa bem demais sem você? Diz aí fuçar as fotos dos últimos eventos para onde o ex-objeto de desejo foi e perceber que a fila andou? E cair na real que a fila andou e não foi para você? Que ele ou ela está com alguém mais interessante e mesmo assim não se conter nas rodas de amigos fazendo observações do tipo “Nossa, essa pessoa que fulano arrumou depois de mim é a maior baranga.” E se for um comentário masculino, deve ser a perdição quando se diz algo do tipo “Nossa, Viram o fulano com o qual ela está saindo agora? Mó cara de otário.”
Mas eu nem sei o que é pior: saber que a ex-pessoa da sua vida está com alguém mais interessante ou saber que esse ex-afeto está com alguém ridículo. Na dúvida é melhor não procurar saber enquanto não tiver saído da possível fossa.
Certo, certo: existem os que nem na fossa estão e que mesmo assim acabam cedendo a tentação de fuçar a vida do ex, prendendo-se a esse tipo de comportamento que é deveras humano, irracional, normal e babaca.
Na fossa ou não, senhores, é melhor fugir disso.
Pois é, a única coisa a ser feita, além de excluir a ex-cara metade da sua rede de relacionamentos virtual, é chorar, chorar, chorar novamente, enterrar o morto e partir para outra. Isso sim, é comportamento louvável.

Encontro convencional


Eles se falavam por telefone há tempos - Já que ele não podia abarcá-la por causa da distância.
Um dia eles decidiram que tinham de se encontrar. Ele disse querer roubá-la só para ele durante quatro dias.
Ela disse que todos, cedo ou tarde, têm esse pensamento sobre ela.
Marcaram de se encontrar uma semana depois.
Ele foi até a cidade dela de ônibus e ela o guiou, por telefone, até seu próprio apartamento.
Ao chegar lá, ele viu garrafas vazias pelo quarto. Garrafas de vodca ruim, de cachaça barata, de cerveja long neck e nenhum copo.
Ele pensou: "Meu Deus! Será que ela bebia no gargalo?! Será que aquelas garrafas representavam a odisséia de suas madrugadas boêmias?!"

Ele deixou as malas de lado e abraçou-a com fúria.
Ela mostrou-lhe o banheiro e enquanto ele tomava banho ela preparou o jantar e abriu uma garrafa de vinho.
Eles conversaram alegremente na sala. Depois foram juntos para a única cama que existia no apartamento.
Fizeram sexo urgente, cheio de ruídos, e depois fizeram um tipo de amor sublime, como se apenas eles dois conhecessem os mistérios da paixão.
Ela disse:
- Muita coisa boa me aconteceu quando eu namorei uma filósofa.
Ele:
- Você já namorou uma mulher?!
Ela:
- Fisicamente não. Namorei as ideias dela.
Ele:
- Ah.
Ele novamente:
- Você pode guardar um segredo? Eu também já namorei um filósofo.
Ele foi embora quatro dias depois.
Ela ficou.
Eles se falam por telefone há tempos.
Um dia decidiriam se encontrar de novo.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Abro os olhos ao dormir


Abro os olhos ao dormir
depois
Fecho os olhos
trilho caminhos invisíveis e sigo minhas próprias pegadas em frente
(fecho os olhos ao amanhecer e encerro a vida com bocejos inúteis)

O dia acaba
eu subo as escadarias que me levam aos céus e me sinto divina

O dia acaba
eu pego as asas que havia guardado no armário
sinto meus ombros livres da tensão real

O dia acaba
A noite chega
Eu abro os olhos.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Questão memorável?


Acho massa essa garotada que se mete a escrever desde tenra idade. Sempre que posso, dou meu incentivo direto, mesmo sabendo que não dá para se ensinar a ser um gênio literário - ou você é ou não é - mesmo assim, eu sempre que posso, dou meu incentivo direto para a molecada, afinal de contas tentar com todo afinco escrever poemas em plena pré-adolescência hoje em dia é prática incomum tanto quanto escrever à mão – claro que não omito minha opinião sincera, quando requisitada, mas tento suavizar o quanto posso, pois mais me interessa alguém que não escreve bem ainda, mas que pode divulgar essa prática o quanto antes em vida, a pessoas que mal leem, mal veem e mal escrevem e que vão repassar o pensamento para as próximas gerações de que sendo assim, ignorante, também se vive bem, criando dessa forma coxos mentais.
O que eu poderia dizer em desfavor de criaturinhas tão fofinhas, impulsivas, imaturas, egoístas e complicadas como qualquer um já foi ou será ao menos uma vez na vida? Disseram-me que sai muita bosta de cabecinhas assim tão jovens, mas, Senhores, quem somos nós para criticar ferrenhamente qualquer pessoa que tem peito suficiente para fazer algo que se acha capaz? Eu respondi que sim, é claro que sai muita merda de cabecinhas assim: são poucos os que nascem prontos, eu mesma tenho plena consciência de que não estou pronta – e nem sei se estarei nesta vida – preciso amadurecer muito, muito ainda.
Então eu pensei “por que não dar uma força para a galerinha?”
Visitei blogs com poemas cheios de erros ortográficos grotescos e de escolha lexical pobre, e que fique registrado que isso não foi privilegio de crianças apenas, tinha muito adulto escrevendo bobeira como se fosse grandioso e com muitos seguidores iguais.
Pois é, visitei esses blogs e nem me abalei com os mais jovens. Quanto aos adultos eu apenas pude pensar que poderiam escrever e ler melhor se esse costume fosse inoculado às suas rotinas quando eles eram bem meninos ainda. - Infelizmente vivo num país onde o hábito da leitura ainda causa prazer há uma pequena e distinta parcela da população – mas estou sempre em prece para que isso mude.
De qualquer forma continuarei dando força a quem quer se dedique no enveredar pelas vias literárias. E aos que me disseram que dessas cabecinhas sai muita bosta, e nada fazem para contribuir para que essa mesma merda seja evacuada, peço que não se atenham somente a isso: o que julgamos como muita merda durante a infância, e ainda na adolescência, com o incentivo certo pode valer ouro no futuro. Acho sinceramente que o caminho é esse.
Ora, senhores, de que vale pensar tão imenso e optar por não dividir essa imensidão com ninguém?

Shit up – mad girl's questions letter


Shit up – mad girl's questions letter

Somebody told me that every negative situation contains the possibility for something positive.
That time I thought "bullshit!" but now I know It is how you look at it that matters. You have advantages and resources forcing you to be a more inventive with the little that you have.
Okay, okay. Sometimes I agree with and sometimes I don't, 'cause I know I'm just a girl lookin' at the moon in front of the sea – the world still can wild to me.
If God is real why is he indifferent to the love that may hit You and me or to death our good acts?
If there are circumstances We cannot control, do We just need to make the best of them? But when my best is not your best? Or just when the best to me is different about your point of view?
I can try to explain (why not?) my mind have chooses to interpret all this crazy words...
What is positive... What is negative... Anyone have thoughts?
I feel something is perfect strange, but just because you have fear to say how I am so important to you, We are livin' a deeply sorry. - and I can fix anything.
Turnin' shit.
Our natural tendency is to interpret our relationship like something wrong – Oh, if we have courage to say "I miss you." But I don't wanna be a temporary obstacle for you. (I just wanna say goodbye if you need to).
I have my crises.
You have your crises.
You said you don't like bad stuff (you should be where I am)
I said I love you (How could this have happened)?
Really: I can be fine by your side. (Did you say okay?) - if you can't say anything, what more We will do? To get married?
I would change anything for you, wouldn't I? But not myself (or am I just goin' crazy here, my dear)? WHO ARE YOU?
Please, don't let fears make you wait for a better moment.
I don't have the luxury of waiting for a long, you know? So gimme my answers.
Anyway, take your time.(But remember that I will not be waitin' you forever).


PS.: A song, "Hoy No Quiero Verte Nunca Mas" - Franny Glass.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Oração (antiga).


Senhor,
Que meus projetos pessoais surjam muito bem amarrados à minha disponibilidade;
Que eu exale talento e criatividade bem concebidos e iluminados;
Que nos salões aonde eu raramente vou sejam mais bem frequentados por pessoas que se socializem e travem consigo mesmos e uns com os outros embates sentimentais e humanos que me deem uma profundidade inesperada;
Que o contraste entre a depressiva trilha sonora de minha vida e a inventada e atraente forma de agir dos medíocres não me atraía para sua teia central;
Que o sexo seguro apareça integrado às vidas das pessoas;
Que os babacas de plantão deixem de se chocar ou excitar com situações comuns ou com eventos que digam respeito à intimidade alheia (ao invés disso procurem ajudar o próximo (qualquer lavagem de roupa também é válida);
E que a tristeza, o vazio e a solidão de muitos dê lugar às pessoas interessantes, inteligentes, distintas e sexy, que sei que existem e devem estar em algum lugar;
Por fim, que eu mesma mude e que minha mesquinhez e meu egoísmo deem lugar a uma mulher segura e de caráter inteiriço que saiba ter nas mãos as alavancas de comando que vêm junto com a maturidade;
Que eu saiba dar as cartas do jogo.
Amém.

Obs.: é uma oração antiga, mas que vigora ainda hoje.