Echo, echo, echo(...)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009


Contemplo todos os meus sonhos lembrando as bocas que beijei (e minhas perguntas, há tanto tempo sem respostas, começam a descrever minha natureza inconsequente). Comecei a ficar aflita por mãos fortes e licor fino misturado à soda; desejo profundo pelo que submete. Procuro não deixar que nada me escape e não devo, de qualquer forma, deixar-me escapar. Saio andando, duelando com o que deve acontecer, no entanto, finjo portar armas brancas, brilhantes armas novíssimas. - Cogito abandonar velhos hábitos baseados em coisas exatas. - Nada me impede de seguir em frente: afinal o que poderia me afetar? Meu mundo não é novo. Mas há sempre a novidade dos quartos onde só cabem dois corpos – finjo, mas não fujo.
É importante invocar as imagens antigas para que eu consiga funcionar entre instinto e decisões insensatas.
O que restará de mim quando isso acabar? Desejarei algo que entorpeça? Chegarei a um ponto consensual devido ao desgaste e ao uso que eu faço de mim mesma? A minha indefinição e a minha busca, por uma transformação que me deixe completa e perfeita, beiram a fanfarra, a parada, a moral, a mancha na imagem, a desordem e tudo o mais humanamente esperado.
Ouso ser.
Embriago-me e revelo-me em movimentos bruscos e passos leves. Conheço todos os labirintos que cruzo até o cansaço: quem não me amaria se um dia acordasse prostituta cristã tornada poeta?

3 comentários:

  1. ...lembra é bom...
    relembrar melhor

    mas tem coisa que só tem o lado bom...

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  2. Há coisas que têm apenas um lado?
    Não creio, Senhor.
    Mostrar-te-ei um dia.

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