Echo, echo, echo(...)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Conversando impropriedades - confissão espontânea de uma paquera.


- O que aconteceu?
- Bem, eu vi quando ele passou com aquele andar em falso. Sabe, aquele andar que tem um quê de obsceno, um quê convidando para um banquete a dois? Pois bem, esse convite mudo me paralisou a respiração. Tive anseios de olhares e mãos.
(...)
Pausa.
(...)
- O tecido mole de sua roupa esconderia um órgão flácido? Ai, meu Deus, esse tipo de convite sem intenção sempre me deixou aflita(...)
- Foi o que pensei: não poderia conter meus pensamentos assim tão fácil, nem tampouco me livrar da ação posterior à visão desse caminhar lento, que só os homens acima do peso são realmente capazes de ter.
- E ele era gordo então?
- Estava acima do peso é verdade. Uma mulher mais apegada à realidade teria deixado passar esse momento(...) Só sei que ele caminhava lerdo, e não parava, não olhava em volta, de forma que não pude ver seu rosto nem tencionei fazê-lo, mas aquele caminhar lento(...) Como eu fiquei distraída absorta em pensamentos graciosos a partir daquele andar(...) Sequer volvia o olhar para o que acontecia ao lado.
- E ?
- Ai. Eu mordia os lábios e a saliva desaguava na terceira dimensão entre minha língua e meu céu da boca. Eis que surgiu o melhor e o pior de mim: Movida por um impulso me vi a segui-lo próximo aos restaurantes do meio do caminho. A perseguição durou apenas alguns minutos: ele, como que por meio de magia, deu meia volta, parou em minha frente e ficou me encarando.
- Como ele era?
- Ele era encantadoramente feio. Travamos uma batalha entre nós mesmos e o desejo.
- E depois?
- Ah, depois ele passou a me telefonar nas horas absurdas quando pouco restava de mim para qualquer afago. Queria me ver todos os minutos de todas as horas de todos os dias da semana. Imagine: ele viciou-se em mim e eu tive de deixá-lo. Por mais que seja estranho esse ato para uma mulher: eu gosto de ir atrás das coisas que quero e não que as coisas venham atrás de mim.


Obs; Na foto Grace e Narayana.

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